Movimento promove trânsito mais seguro para diminuir ocorrências no Ceará e no país: em 2025, foram mais de 72 mil acidentes em rodovias federais, sendo 1.302 deles no Ceará
Desde 2011, a Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu o Maio Amarelo, movimento que conscientiza para a redução de acidentes de trânsito. O propósito é mobilizar o poder público, os condutores, os pedestres e todos os cidadãos para discutir o problema. A preocupação por um trânsito mais seguro não é por acaso: segundo a Polícia Rodoviária Federal, em 2025, houve 72.483 acidentes nas rodovias federais do País, com 6.044 mortes e mais de 83 mil feridos. No Ceará, aconteceram 1.302 acidentes nas rodovias federais que cortam o estado, com um total de 171 mortes e 1.429 feridos.
Os números comprovam que o trânsito é mais do que um tema de mobilidade, mas também um problema estruturante de saúde pública. Afinal, seus impactos são diversos, como internações hospitalares, procedimentos cirúrgicos, internação de longo período, procedimento de alta complexidade, reabilitação de longo prazo e sobrecarga do sistema de saúde.

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- Prevenção
Esses impactos podem ser minimizados com ações simples de prevenção, como o uso de capacete, do cinto de segurança e de não se ingerir bebida alcoólica antes de dirigir. “Com certeza, a junção desses três fatores é uma das mais perigosas no trânsito, porque alteram a capacidade de conduzir. O álcool diminui o tempo de reação, reduz a tensão e a coordenação motora, e a falta do cinto de segurança permite que o paciente seja ejetado do veículo e colida a cabeça com painel do carro, o que aumenta as chances de traumas mais graves”, alerta a ortopedista Gabriella Brito, membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia – Regional Ceará (SBOT-CE). “E a falta de capacete aumenta as chances de traumatismo craniano severo pelo trauma da cabeça contra um anteparo fixo. Então, quando a gente soma esses três fatores, temos a combinação perfeita para um acidente de alto risco de óbito acontecer”, reforça.
De acordo com a ortopedista, que também é cirurgiã de coluna, as lesões mais comuns nos acidentes de trânsito acometem principalmente pacientes jovens e homens. “A gente tem as fraturas dos membros, principalmente das extremidades, o traumatismo crânio-encefálico, lesões da coluna vertebral, que podem levar a uma paraplegia ou uma tetraplegia, trauma torácico com fratura de costela, lesão pulmonar, traumas abdominais, com lesões do fígado e do baço, que podem levar a uma hemorragia interna. Além disso, lesões ligamentares, que podem acontecer em traumas de menor impacto, e aqueles pacientes com politrauma, que tem não só uma lesão, mas múltiplas lesões”, descreve.
- Sobrecarga
A ocorrência de acidentes de trânsito sobrecarrega todo o sistema de saúde pública, conforme explica Gabriella Brito. “Vamos ter desde pacientes com traumas leves, com escoriações, entorses e contusões, até pacientes que vão ter um acometimento mais grave, com sequelas. E na maioria das vezes vai ser o Sistema Único de Saúde, o SUS, que vai atendê-los. Em termos de ortopedia, haverá o aumento de cirurgias de alta complexidade, será preciso lidar com sequelas desse trauma, a sobrecarregar o profissional de saúde que está na linha de frente, além de aumentar o custo para a saúde também em razão dos pacientes que ficam sequelados e precisam entrar no sistema público de saúde para tratamento daquela lesão crônica”, explica a ortopedista, membro da SBOT-CE.
Por essas razões, Gabriella Brito apoia a realização da campanha Maio Amarelo, ressaltando que todo esforço é válido para salvar vidas. “Definitivamente, o Maio Amarelo é uma iniciativa que traz toda a população para prevenção dos acidentes de trânsito. Precisamos do engajamento dos órgãos públicos, incentivando a campanha, do sistema educacional, nas escolas, e claro, do sistema de saúde”, observa. “Além disso, essa campanha precisa chegar ao público final, o condutor e o pedestre. O fato de nós termos que educar a nossa população nos leva a juntar todos em um bem comum”, completa.

