O Programa Cisternas, iniciativa do Governo Federal voltada para a captação e o armazenamento de água da chuva, é visto como uma das principais estratégias para reduzir os impactos da estiagem no semiárido nordestino. A ação que tem tecnologias simples e de baixo custo, assegura o abastecimento hídrico para consumo humano, produção de alimentos e criação de animais, além de gerar emprego e renda nas comunidades atendidas.
O Cisternas criado há mais de 20 anos ganhou novo impulso nas últimas edições e passou a ser tratado como prioridade nas regiões mais afetadas pela seca. Foram entregues só em 2025, o total de 104.300 unidades de captação e armazenamento de água em todo o Brasil. É avaliado como significativo o avanço quando comparado a anos anteriores. No ano de 2022, por exemplo, cerca de 6,7 mil cisternas haviam sido montadas. Mas esse número saltou para 48,9 mil unidades em 2025.
A região Nordeste que está em meio aos desafios causados pelas mudanças climáticas, é a maior contemplada com o alcance da política pública, pois concentra grande parte das entregas: 88% do total. Estão entre os beneficiados, os Estados do Pernambuco, Rio Grande do Norte e Bahia. Já de 2023 até 2025 foram entregues 28.900 unidades no Ceará.

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- O programa e seus impactos
O programa traz reflexos diretos na qualidade de vida das famílias, além de garantir água para o consumo humano. A redução de doenças relacionadas à água contaminada, a diminuição da mortalidade infantil e o aumento da produção agrícola, fatores que ajudam a fortalecer a economia local e a segurança alimentar, estão entre os resultados apontados.
Famílias da zona rural com renda per capita de até meio salário mínimo formam o público-alvo, além de escolas e equipamentos públicos instalados em áreas afetadas pela seca. Para participar, é preciso estar inscrito no Cadastro Único do Governo Federal.
Já foram contratadas por meio do Novo PAC mais de 189 mil unidades, dentro de uma meta de 219 mil cisternas. No total, 1.037 municípios em 19 Estados participam da ação, que soma investimentos de R$ 1,7 bilhão.
São usados pelo programa, diferentes modelos de cisternas conforme a necessidade de cada comunidade. As de 16 mil litros, destinadas ao consumo humano, que captam água da chuva durante o período chuvoso para uso nos meses mais secos são as mais comuns.
Vale lembrar que as estruturas de 52 mil litros são destinadas à produção de alimentos e abastecimento de animais. Existem ainda as versões específicas para escolas rurais e sistemas comunitários, especialmente implantados na região Norte.
O programa Cisternas contribui para geração de renda, fortalecimento da agricultura familiar e permanência das famílias no campo, reduzindo os impactos sociais da seca no semiárido brasileiro.
Texto: Eduardo Galdino

