Inspirado nas conjunções adversativas da língua portuguesa, “Todavia” e “Contudo”, o poeta, linguista, ensaísta e tradutor cearense de Limoeiro do Norte, Luciano Maia, escreveu, neste ano de 2026, dois livros que estabelecem relações entre ideias contrárias. As referidas obras trazem apreciações de intelectuais, a exemplo do escritor maranhense Edmilson Sanches, dos cearenses Batista de Lima e Linhares Filho e do paraibano Hildeberto Barbosa Filho.
Os títulos estabelecem uma relação baseada em contraste, oposição, contraponto e reflexão – elementos que atravessam a produção literária do autor. Nas obras lançadas recentemente por Luciano, as palavras ganham uma dimensão poética, sugerindo possibilidades de diálogo entre diferentes sentimentos, experiências e percepções sobre a vida.
“Todavia” e “Contudo” levam os leitores a conhecer mais uma parte da trajetória de um dos nomes de destaque da literatura cearense contemporânea. Os próprios títulos, que chamam atenção, funcionam como uma espécie de convite à leitura. Palavras que, no dia a dia da língua, estabelecem contrapontos tornam-se referências para uma produção literária que valoriza a linguagem e suas múltiplas possibilidades.
Uma literatura que nasce do contraste é como podem ser definidas as obras, cujos títulos reforçam, ainda, a importância que a língua portuguesa ocupa na trajetória de Luciano Maia, autor que transita entre a criação poética, os estudos linguísticos e a tradução.
O poeta reafirma, com os livros “Todavia” e “Contudo”, sua contribuição à literatura brasileira e, especialmente, à produção literária cearense, mantendo viva a tradição de escritores do Ceará que fazem da palavra instrumento de reflexão, memória e expressão artística.
Em breve, a trilogia “conjuntiva” de Luciano Maia ganhará um novo capítulo. Depois de Todavia e Contudo, o poeta cearense prepara o lançamento de Entretanto, obra que completará o projeto literário inspirado nas conjunções adversativas e em suas formas de reflexão sobre a vida, o tempo, os encontros e os contrastes da existência. O novo livro promete manter a proposta de transformar palavras do cotidiano em matéria poética, consolidando uma trilogia marcada pela linguagem, pela sensibilidade e pelo olhar singular de Luciano Maia.
O autor é conhecido pelo lirismo, pela musicalidade e pela valorização das formas fixas na poesia. Uma das provas é o poema “O Inevitável Amor”, que está na página 79 de Todavia. Nele, o poeta apresenta o exemplo da natureza, que humaniza, como lembra, nas orelhas do livro, o imortal da Academia Cearense de Letras, Linhares Filho.
“Não necessitas justificativas ao amor que dedicas ao que for se tens a compreensão de que o amor faz crescer as virtudes em nós vivas. Nosso amor ressuscita as esquecidas forças vitais, teu servo e teu senhor. Abre ao mundo os sentidos de um penhor a todas as razões das nossas vidas. Eu amo, a nuvem diz àquela fonte pequenina, singela, ao pé do monte: gesto da natureza, irrestritivo. Ama! O teu gesto é único e solar. Como disse o poeta, o verbo amar em si se basta, é verbo intransitivo.”
Outro exemplo é o poema “Elogio do Vinho”, estampado na página 53 do livro Contudo:
“Faço da estrela o cálice de vinho e te convido: deixa que o caminho se conclua na ausência de nós dois: temos na embriaguez o nosso ninho. O vinho terá sido o precursor das adivinhas que revelam dor emancipada de fastio e tédio. Vamos ao vinho e dele ao que mais for! Com vinho enches nossas duas taças. Assim nos guarda dessas ameaças proferidas por néscios abstêmios. Não mandam no que queiras ou me faças!”
O poema foi escrito por Luciano em memória de Omar Khayyam.

Olhares sobre as obras
Todavia
“Observa-se, na maioria dos poemas, um comportamento surrealista, em que o conteúdo, provindo do subconsciente ou do inconsciente, se oferece com pouca lógica, comandado por uma acentuada atenção à métrica e à rima, de tal forma que as ideias se apresentam de forma complexa ou labiríntica. Afinal, esse é o modo individual de ser do poeta, pelo qual ele se afirma como criador.
Vê-se, por fim, que o autor do presente livro emite mensagens que abrangem o lírico, o social, o telúrico e o religioso, e que as peças mais apreciáveis estão, a meu ver, entre as que menos teor surrealista apresentam para se aproximarem mais de um desenvolvimento racional.
De qualquer forma, Todavia, do grande poeta Luciano Maia, se recomenda e pode, pela sua criatividade, deliciar o espírito do leitor, que busca encontrar a verdadeira Poesia, trabalhada por um artista que a ela se consagrou com a maior dedicação.”
Linhares Filho
Contudo
“A um ou outro leitor, pode parecer que o poeta Luciano Maia maneja fácil a forma e o conteúdo dos ricos, modelares poemas que, em sua physis, têm suas formas e fórmulas de fazer (como as quadras e os sonetos).
Sua obra, quer prosa (ensaística), quer verso (poética), é conhecida na Academia e em outras Nações. Da universidade à universalidade – o autor é poliglota e sua obra também fala para diversos povos, pois que traduzida para diversas línguas.”
“Esta nova obra de Luciano Maia amplia sua já rica bibliografia, de cerca de cinquenta livros. Pintando com palavras e escrevendo com imagens, Luciano Maia é artista – multissensorial – do texto – polissêmico.”
Edmilson Sanches

O Tradutor
Luciano Maia também se destaca como tradutor e divulgador da literatura internacional. Ao longo de sua caminhada literária, traduziu obras de importantes escritores e poetas da Romênia, entre eles Mihai Eminescu, Mihail Sadoveanu, Marin Sorescu e Emil Cioran, além de autores da Suíça, Itália e Córsega.
Um de seus livros de maior projeção é Jaguaribe – Memória das Águas, trabalho que alcançou diversas edições no Brasil e também foi traduzido para outros idiomas, ampliando o alcance da literatura produzida no Estado do Ceará.
O poeta Luciano Maia foi nomeado Cônsul Honorário da Romênia em Fortaleza, em 1997, e, em agosto de 2016, recebeu a Comenda da Ordem do Mérito Cultural da Romênia, na categoria Literatura. O reconhecimento de sua atuação literária inclui o Prêmio Osmundo Pontes de Literatura, na modalidade poesia, em 2001.
Outras obras de Luciano Maia
- Neruda – Canto memorial (1983)
- Sol de espavento (1984)
- Nau capitânia (1987)
- Almanaque neolatino (1990)
- Jaguaribe – Memória das águas (1994)
- Seara (1994)
- As tetas da loba (1995)
- Rostro hermoso (1997)
- O cotidiano dos direitos humanos (1999)
- Vitral com pássaros (2002)
- Autobiografia lírica (2005)
- Claroscuro (2011)
- Meu amigo rico (2012)
- Lonxana (2015)
- Os Longes (2017)
- Assembleia dos rios (2020)
- Dunas (2021)
- Odisseia do soneto (2021)
- Sonata dos Sonetos (2023)
- Sardenha (2023)
Onde encontrar os livros “Todavia”, “Contudo” e “Entretanto”?
Os livros podem ser adquiridos diretamente com o autor pelo telefone: (85) 9 9988-5150.

