O restauro e a reabertura do Cineteatro São Luiz, em 2015, marcaram o início de um novo ciclo para a cultura no Centro de Fortaleza. Dez anos depois, o equipamento público, vinculado à Secretaria da Cultura do Ceará (Secult CE) e gerido pelo Instituto Dragão do Mar (IDM), apresenta um balanço histórico de sua atuação. O relatório especial “Panorama de Gestão do Cineteatro São Luiz | 2015 a 2025”, publicado nesta quinta-feira (2), revela que o espaço recebeu mais de 1,9 milhão de pessoas ao longo da última década, consolidando-se como um dos mais importantes e ativos complexos culturais públicos do Brasil.
O documento está disponível para consulta pública na aba Transparência do site do Instituto Dragão do Mar (www.idm.org.br/transparencia/) e reúne informações sobre a gestão do equipamento, servindo como instrumento de prestação de contas, memória institucional e fonte de pesquisa para gestores, artistas, pesquisadores e demais interessados.
A publicação demonstra que a ocupação cultural do Centro de Fortaleza contribuiu para a revitalização urbana, a inclusão social e a democratização do acesso à arte. Com uma política de ingressos predominantemente gratuitos ou a preços populares, o equipamento ampliou o acesso da população a uma programação artística diversa e de qualidade.
Ao longo desses dez anos, o Cineteatro São Luiz, inaugurado originalmente em 1958 como um palácio cinematográfico, ampliou sua atuação e passou a funcionar como um equipamento cultural de múltiplas linguagens. Sob a gestão compartilhada, a sala Luiz Severiano Ribeiro, com capacidade para 1.050 pessoas, passou a receber, além das tradicionais sessões de cinema, espetáculos de música, dança, teatro, circo e artes integradas. Essa diversidade consolidou o espaço como um ponto de encontro entre diferentes gerações e expressões artísticas no coração da capital cearense.
O audiovisual permaneceu como uma das principais vocações do equipamento. O levantamento registra a realização de 7.118 ações dentro desta linguagem, reunindo 1.143.408 espectadores em mostras, festivais, maratonas temáticas e sessões gratuitas. Ao longo da década, o Cineteatro sediou importantes eventos do setor, como o Cine Ceará, reunindo nomes como Fernanda Montenegro e o cineasta Karim Aïnouz, reforçando o papel do espaço como palco de grandes encontros do cinema brasileiro.
O compromisso com a formação de público também se fortaleceu por meio do projeto Escola no Cinema, promovendo sessões de curtas e longas-metragens premiados voltadas ao público infanto-juvenil, acompanhadas da exibição e do uso de materiais pedagógicos que ampliam a experiência. Ao longo do período, a iniciativa atendeu 125.174 estudantes de escolas públicas e instituições parceiras em 525 sessões gratuitas, ampliando o acesso ao cinema desde a infância. A iniciativa integra o programa São Luiz em Rede.
Nas artes integradas, o São Luiz aproximou grandes nomes da cultura brasileira da produção artística cearense. Artistas como Erasmo Carlos e Sidney Magal participaram de projetos como a Sessão Sonora, que reuniu cinema e música em uma mesma programação. Paralelamente, o equipamento criou faixas específicas para a valorização de artistas e bandas do Ceará, contemplando diferentes gerações em apresentações de grande porte e também em formatos mais intimistas realizados no palco do teatro.
O palco do equipamento também foi cenário de espetáculos que marcaram a cena cultural brasileira e cearense, como “Pequeno Monstro”, de Silvero Pereira, e o solo autobiográfico “E.L.A.”, da multiartista cearense Jéssica Teixeira, que levou ao público reflexões sobre beleza, política, feminilidade e acessibilidade.
Os resultados alcançados foram sustentados por uma estrutura técnica e orçamentária apresentada na publicação. Após o restauro entregue pelo Governo do Ceará em 2015, com investimento de R$ 15,2 milhões em infraestrutura e recuperação patrimonial, a gestão executou aproximadamente R$ 55,5 milhões, em dez anos, por meio de contratos de gestão entre Instituto Dragão do Mar e Secretaria de Cultura do Estado e R$ 2,9 milhões via receitas operacionais.
O relatório destaca ainda os avanços em acessibilidade comunicacional e atitudinal, com a oferta regular de recursos como audiodescrição, interpretação em Libras e legendagem descritiva. As ações também ampliaram a participação de artistas com deficiência nas programações do equipamento.
Em um cenário de redução dos cinemas de rua nas capitais brasileiras, o Cineteatro São Luiz mantém sua relevância como patrimônio cultural e afetivo da população cearense.
Sobre o Cineteatro São Luiz
Localizado no Centro histórico de Fortaleza, o Cineteatro São Luiz é um dos principais patrimônios culturais do Ceará. Inaugurado em 1958 e restaurado pelo Governo do Estado do Ceará, o equipamento reúne cinema, teatro, música, dança, circo, literatura, artes visuais, culturas tradicionais, artes integradas, além de atividades formativas, palestras e debates. Com espaços como a sala de cinema e teatro, a Sala Seu Vavá e o Auditório, o São Luiz desempenha um papel fundamental na valorização do patrimônio, na democratização do acesso à cultura e na requalificação sociocultural do Centro da capital.
O Cineteatro São Luiz integra a Rede Pública de Equipamentos Culturais da Secretaria da Cultura do Ceará (Rece), vinculada à Secretaria da Cultura do Ceará (Secult Ceará), e é gerido em parceria com o Instituto Dragão do Mar (IDM).
Sobre o IDM
O Instituto Dragão do Mar é uma organização social (OS) de sociedade civil, sem fins lucrativos, com 28 anos de atuação no campo cultural do Ceará e atua em parceria com o Governo do Estado, especialmente com a Secretaria da Cultura, maior e mais antiga parceira da instituição.
A OS é especialista na gestão de experiências de formação e fruição cultural em artes, patrimônio e memória, gastronomia social, esporte e meio ambiente e, atualmente, faz a gestão de 17 espaços e equipamentos públicos, em parceria com o Governo do Ceará, sendo cinco no interior do Estado.
Serviço
Panorama de Gestão do Cineteatro São Luiz (2015 a 2025)
Disponível gratuitamente na aba Transparência do site do Instituto Dragão do Mar.: www.idm.org.br/transparencia/

